Domingo, 25 de Maio de 2008

Brasil - O País das Raquetes.

Em 25 de maio de 2008, Gustavo Kuerten, o Guga, entrou em quadra para a disputa de seu último torneio profissional, o Roland Garros. Em sua homenagem, estou reeditando um post de janeiro de 2008, em que cito parte da realidade do esporte brasileiro.

Obrigado por tudo, Guga!


O Brasil notabiliza-se por desportistas fenomenais.

Oscar e Hortência no Basquete, Diego Hipólito e Daiane dos Santos na ginástica, Ayrton Senna, que dispensa comentários e mais uma seqüência interminável de desportistas que, individualmente conseguiram se destacar nas diversas modalidades esportivas.
No Futebol e no Voleibol, somos o que há de melhor no mundo.

O interessante é notar uma característica comum entre quase todos esses atletas. O fato de terem conseguido suas vitórias, única e exclusivamente, devido aos seus esforços individuais.

No Brasil, o esporte não é levado a sério por nenhum governante. Logo, é cada um por si.

Na atualidade, um atleta merece destaque. Gustavo Kuerten , o nosso Guga.

Guga, depois de ter colocado o tênis brasileiro no lugar mais alto do pódio, depois de ter trazido tantas alegrias para o povo brasileiro, anunciou para 2008, sua aposentadoria das quadras.
Foram vinte títulos individuais e oito em duplas, num total de 343 vitórias.
Gustavo é um símbolo para o povo brasileiro. E fez quase tudo sozinho.

O estado brasileiro, desleixado como sempre, sequer aproveitou a “Onda Guga”, para difundir a nível educacional, o tênis pelo Brasil. Guga já está pendurando as “chuteiras” e sua semente não germinará numa potência proporcional ao seu talento. Uma pena.

Mas não pensem que o Estado Brasileiro, em todos os níveis, não está patrocinando o uso coletivo das raquetes. Está sim. E está fazendo tudo o que pode. Tudo dentro dos conformes.

Observando as esquinas do Rio de Janeiro, notamos que as raquetes estão na moda. Não as raquetes de tênis convencionais, aquelas que consagraram Guga. Mas uma raquete pega-mosquito.
O medo da população, com os surtos de dengue e mais recentemente de febre amarela, está proporcionando aos ambulantes, a comercialização dessas raquetes elétricas (elas eletrocutam os insetos voadores).

Como vocês podem notar, o Estado Brasileiro está fazendo o que pode e o que não pode, para difundir o uso da “raquete” no Brasil. Nesse caso, uma raquete elétrica, “Made in China”.

É a globalização na carona da incompetência.



Marcos Santos
Rio de Janeiro
25/01/2008

foto marcos santos

Domingo, 11 de Maio de 2008

O Guerreiro dos Sonhos


E quando tudo parece ir bem, a morte se hospeda ao seu lado.
Conviver com ela, conversar diariamente com seu algoz verdadeiro. Seu algoz derradeiro.

A angústia da hora marcada. A vida esvaindo a cada respiração. A energia vital extinguindo-se a cada esforço de um simples “oi”. Um leve aceno.

Mesmo assim ele acena. Mesmo assim ele profere as poucas palavras mortais.

Meu querido sogro está partindo. Lutando bravamente, mas perdendo.

O sorriso de despedida cansa, e todo o seu frágil corpo, antes guerreiro batalhador, cobra caro por essas tênues manifestações.
Sua armadura está sendo retirada. E uma a uma, as partes mais fortes vão desmanchando-se, como açúcar na água.


Mas ainda resta alguma coisa indestrutível desse grande homem. Sua dignidade.

E será ela, a dignidade, o seu maior legado.

Que Deus abençoe Benito Papi, meu amigo de 30 anos de convivência.
Meu querido sogro, o Guerreiro dos Sonhos.

Marcos Santos
10 de maio de 2008
17 de maio de 2008

photo by marcos santos

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Vida Retrô - Vista de Frente

Enquanto os empurradores alternam-se, o empurrado é sempre o mesmo, numa jornada de mais de doze horas, sob sol, chuva, frio, vento, fuligem...











...um arrimo de várias famílias.











Marcos Santos
Rio de Janeiro

fotos marcosjs

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

A Lua - The Moon

Sky Watch Friday!
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A lua flutua no céu negro.
The moon floats in the black sky.



Damos um pouco de abertura ao obturador, e temos outra imagem, totalmente diferente. Notem Vênus, brilhando acima.
We give a bit of opening the shutter, and we have another image, totally different. Note Venus, shining above.



Mas a mesma Lua, também flutua no dia claro...
But the same moon, also floats on clear day ...



...e completa a cena, compartilhando com o verde.
...and complete the scene, sharing with the green.


photos by marcos santos
Rio de Janeiro

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

A Felicidade...

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A felicidade está em apreciar a folha morta e seca. A felicidade está em perceber o belo em um inseto de seis patas. A felicidade está em apreciar os sabores, mesmo os mais fortes, picantes ou amargos. A felicidade está em saber compartilhar a natureza com os outros seres, mesmo os mais ferozes. A felicidade está em...


Infância Perdida - Parte Dois

Em algum tempo todos estavam reunidos no entorno dele. Alguns por consideração, outros por curiosidade e nós, por sermos seus pais.

Nossos corações estão como que anestesiados, nossas gargantas meio que, como visgo de jaca, com uma secura pegajosa. Nossos pensamentos não estão ali, mas estão com ele. Como seria se tivesse tido uma chance? Como seríamos se fôssemos em número de quatro? Realmente não sei e talvez nunca venha a saber.

O ritual fúnebre exige sua seqüência. Como pai de um filho anjo, não me resta alternativa senão levá-lo, eu mesmo e somente eu, à sua morada final.
E assim o fiz, sem lágrimas, sem rosto, sem pernas nem passos. Interessante foi observar que não havia chão nesse caminho, não haviam braços ou mãos para segurar sua urna, mas ela chegou ao seu destino. O Destino... .


...A felicidade está em poder escrever, mesmo quando a fonte de inspiração for a sua própria tragédia.

Poemas A Felicidade e Infância Perdida Dois - Marcos Santos
Foto Folha de Café - Marcos Santos

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

Pelas ruas que ando...

Em homenagem aos meus amigos Rosa e Quintino, estou repostando esta crônica.



Av das Américas, 4666.

















A expectativa está criada.


O sinal se fecha e inicia-se uma corrida pelos espaços, entre os carros.

O pequeno artista elabora sua pequena e rápida apresentação com limões.

Deve ter uns oito anos e não tem idéia de que ao volante da caminhonete Toyota Hylux, de cor prata, existe um homem adulto, maduro, instruído, profissionalmente realizado, “politicamente correto” e cheio de si, que no entanto, o teme.

O menino, apesar de vítima, apresenta-se a um dos atores da sociedade, como um vilão potencial.

Seu show de malabarista não agrada... e não poderia agradar mesmo... Sua barriga ronca, seus pés queimam no asfalto quente, e seus pequenos braços já não agüentam os movimentos repetitivos de seu desajeitado número circense.

Neste momento, o cidadão do Toyota, sentindo que o semáforo vai abrir, se enche de confiança e autoridade. Em seguida balança a cabeça negativamente com ar professoral e reprovador.

A luz verde acende e ele vai embora.

Já o menino de oito anos ?

Continua ali, fazendo seu papel de malabarista-quase-vilão, até os nove, dez, onze,..., sem título, sem crédito, sem face, sem nome, sem fim.


Marcos Santos

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

O Bambu de Hiroshima


Gramínea surgida no final do Cretáceo e início da Era Terciária. Nossa contemporânea.

O bambu está no topo da evolução das gramíneas que habitam os nossos campos de futebol. Ele é o que há de mais moderno em termos de “mato”.



Sua história confunde-se com a nossa. Seus usos sempre foram nobres.
Nenhum outro vegetal tem as características mecânicas do bambu. Sua leveza, sua flexibilidade, sua tenacidade, sua elasticidade.
Lendo assim, parece que estamos falando do aço, mas não, isso tudo cabe dentro do bambu, com a vantagem de que no aço, não podemos falar em leveza.

Planta sagrada no Oriente, o bambu nos serve do alimento, à moradia. Diz-se que uma touceira de bambu, equivale a uma usina siderúrgica dentro da terra, com a vantagem de não poluir e ainda capturar o carbono da atmosfera. Um bambual cresce sem queimar um combustível sequer.

Interessante é notar sua resistência, quanto as nossas tragédias.
Na Hiroshima arrasada pela Bomba Atômica, o bambu foi o primeiro ser vivo a mostrar sua cara. Lá, após o inferno atômico, o bambu conseguiu ficar de pé.

Gosto de pensar nisso.
Gosto de tentar ser como o bambu, que fica de pé após as maiores dificuldades da vida.
Mesmo após o sopro da morte...
...mesmo após o sopro nuclear.

Marcos Santos
Rio de Janeiro

Domingo, 20 de Abril de 2008

Sem Palavras

Taça Rio já foi. Só faltam dois jogos para o campeonato.

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Mais de um século de história tem que ser respeitado.

photo by vitor castro

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

Analfabetismo e a Pessoa com Deficiência

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Inclusão, acessibilidade...

...Palavras politicamente corretas e comercialmente vendáveis.
Existem muito mais necessidades do que se pode supor da sonoridade de cada uma delas. A realidade é sempre mais cruel e impiedosa, não permitindo pausas para os discursos.

Nossa blogagem coletiva aborda o tema do analfabetismo da pessoa com necessidades especiais e será no blog Alecrim Dourado, de minha mulher e companheira de luta Denise BC, que estaremos expondo nossa compreensão acerca do tema.

Clique no selo do blog e confira.


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Domingo, 13 de Abril de 2008

COROA GRANDE E O PÉ DE PATO PRETO

Coroa Grande é um Distrito do Município de Itaguaí. Lá passei a maioria das férias e feriados da minha infância.


Praia de fundo de baía, Coroa Grande não é aquilo que se possa chamar de “a praia”, com a boca aberta ou com os pulmões a pleno. Estava longe de ser uma Ipanema ou Leblon, praias da moda na época.
A maré estava sempre baixa, expondo o fundo de lodo e lama do mar. Era comum andarmos pelo menos uns cinqüenta metros ou mais, com a lama na altura da canela, até chegarmos na arrebentação, que na verdade não arrebentava nada. Quando muito, uma marola com meio metro de profundidade, o que proporcionava, invariavelmente, arranhões na barriga devido ao atrito com as conchas e os detritos de lixo depositados no fundo.
Ao mergulharmos, a água turva como chocolate ao leite, nos permitia uma visibilidade de uns dois centímetros, o que deixava claro a preferencia por um mergulho de olhos fechados.
No entanto, para mim, “Coroa” como nós a chamávamos, era um paraíso.
Paraíso dos sapos-bois e do “Macaquinho” (apelido carinhoso dado ao trem de madeira). Paraíso das valas abertas, proporcionando o assédio sexual das libélulas (que para mim continuam lavadeiras). Paraíso da poeira e da bananeira, do mosquito e da lamparina, da esteira de palha e do bloco de gelo, da água salobra e da falta de banho. Mas eu, na minha inocência infantil, adorava.

Muito antes de se ouvir falar em ecologia e crescimento sustentável, Coroa Grande já se via às voltas com a falta de saneamento, mas numa boa, sem maiores crises. Os “marujos” boiavam tranqüilamente no mar e tudo bem. Fazia parte da rotina e ninguém se incomodava. O único cuidado ecológico tomado a respeito do assunto era mergulhar de boca fechada.
De vez em quando nós víamos alguns desses “navegadores” na cabeça ou no ombro de algum mergulhador desavisado... . Tranqüilo e sem estresse o prudente banhista dava mais um mergulho e pronto, o “almirante” seguia seu caminho sem maiores traumas.

Era comum a maré encher já no finalzinho da tarde. E nessa hora os verdadeiros heróis surgiam para dar aqueles sensacionais mergulhos acrobáticos.
Normalmente o sujeito tomava uma certa distância do mar e num dado momento iniciava uma verdadeira arrancada em direção à glória.
A areia não ajudava muito, mas os bravos, normalmente tentando impressionar alguma beldade, enfrentavam com coragem todo o tipo de intempéries oferecidas. E numa verdadeira corrida alucinante de obstáculos, em que faziam parte os tropeços em espigas de milho, latas velhas enferrujadas, garrafas de cachaça que Iemanjá devolvia, pedaços de paus, tijolos e um ou outro marisco abandonado, finalmente nosso guerreiro saltava para a água, numa barrigada triunfal.
A “princesa”, normalmente vestida com aquele biquinão de elanca, num sinal de orgulho e aprovação, juntava-se a ele no fundo e ali ficavam, juntinhos, meio que namorando.

Certa vez, num de meus mergulhos "táteis", encontrei algo diferente de todo o lixo rotineiro. Era um pé-de-pato. Não um par, mas um só pé, que por incrível que pareça era de um modelo infantil e no tamanho exato do meu pé esquerdo. Acho que esgotei toda e qualquer possibilidade de um dia ganhar na loteria, pois encontrar um pé-de-pato infantil, no meu número, de cor preta, no meio daquele lodaçal de mesma cor..., foi com certeza um bilhete premiado às avessas, um desperdício monumental de sorte. Mas eu adorei.
Era véspera de Natal e aquele achado superou em muito o presente titular de Papai Noel, fosse lá ele qual fosse. Tanto que minha memória fez a gentileza de apaga-lo, mantendo guardado na lembrança, só e somente só, o meu primeiro, único e durante um bom tempo inseparável, pé-de-pato preto.


Marcos Santos
Rio de Janeiro

fotos internet.

Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Beijing 2008 - "Atocha" Olímpica

Criação do logotipo das olimpíadas da China - Beijing 2008 (Enviada por minha amiga Denise)

(Creation of the logo of the Olympics in China - Beijing 2008 - Sent by my friend Denise)


Concepção
(Design)


Rascunho
(Draft)



Execução
(Execution)



Acabamento
(Finishing)








Voilá!

Meu Avô Construtor - Poeta dos Tijolos

Meu avô Joaquim esteve aqui. Não como um turista português, em cruzeiro pelo Brasil, mas como pedreiro e construtor de chaminés.

Todos já devem ter visto espalhadas por todo o mundo, chaminés de tijolos maciços, verdadeiras obras de arte, que erguem-se a altitudes de tirar o fôlego...

Pois meu avô Joaquim era construtor de chaminés.

Algumas erguem-se em tamanha imponência e graciosidade que são poupadas da demolição de uma fábrica fechada. Eternizam-se solitárias. Monumentos do testemunho da capacidade do homem.

Meu avô Joaquim era praticamente analfabeto. Ele era construtor de chaminés.

Joaquim "Bigode", viveu e morreu simples e pobre, mas não sem antes deixar de construir seu mais famoso monumento. O Cristo Redentor!

Meu avô Joaquim era pedreiro e praticamente analfabeto. Ele foi construtor de maravilhas.

Todos! Absolutamente todos, temos alguma importância para a história de nosso País.

Só depende de nós!!


Marcos Santos
Rio de Janeiro

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

A foto que não bati – Av Rio Branco

Estava lendo “A Última Crônica” do saudoso Fernando Sabino, quando me recobrei de crônicas que escrevi na memória e que nunca tive a iniciativa de colocar no papel.
Sabino, sabido que era, colocou tantas quantas pôde e recompensa foi essa, como morreu criança, foi no dia dela que foi enterrado, eternizando em sua lápide uma de suas frases favoritas, de que “Nascera Homem e Morreria Criança”.
O Fernando nunca deixaria escapar de sua caneta e papel, amigos inseparáveis que eram, aquela cena urbana, que mesmo sem ser cotidiana, reflete o que somos e como somos.

Mesmo sob sol escaldante de verão de meio dia, aquele carro era seu único alento. Alheio a todo movimento do Centro do Rio, o “menino de rua”, negro como carvão, repousava em sono profundo sob o capout vermelho do veículo, que obviamente não era dele.
Diante da indiferença da população transeunte, fiquei observando aquela cena, enquanto o sinal não abria, e sinceramente me veio uma empáfia de achar que somente eu tinha a sensibilidade de enxergar algo incrivelmente triste e ao mesmo tempo belo, naquele quadro.
Como se, de toda aquela gente passante, apenas eu tivesse sido ungido de sentimentos e sensibilidade.
Foi quando me dei ao direito de tentar penetrar no universo do negrinho. Teria ele cheirado cola ou outro tipo de substância nociva ?
Ou apenas estava cansado de garimpar esmolas ? Talvez estivesse apenas fazendo a sesta do almoço.
A verdade é que ali estava um ser humano criança, demostrando toda plenitude de sua inocência e fragilidade e ao mesmo tempo toda crueldade de uma Sociedade que se consome por si só. Que tem capacidade de temer a abordagem de uma criança desassistida e ao mesmo tempo achar que a mesma criança pode dormir sozinha no meio da rua, debruçada num carro, sob Sol a pino.
A esta altura do meu raciocínio, o sinal dos pedestres começou a piscar.
Eis que surge, furtivamente, do outro lado da rua, um fotógrafo, obviamente munido de sua câmera fotográfica, e eterniza para si aquela cena impressionante.

...O sinal abriu e tive que ir embora.

Não conheço aquele profissional.
Sequer lembro de sua cor, se era preto, branco ou mulato.
Mas tenho certeza do seguinte, a minha empáfia arrogante foi por terra no clicar da câmera daquele homem, embora, de certa forma, compartilhe este momento com ele.

Ele, certamente, já tem a foto revelada há muitos anos.

Quanto a mim ?
...Somente agora tive o desprendimento de revelá-la.

...Ah, e quanto ao Sabino ?
... Provavelmente teria sido mais rápido do que o fotógrafo.


Marcos Santos
12 de outubro de 2004, dia do sepultamento de Fernando Sabino (foto)

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

Realize um desejo...

...E como eles não tem senso de ridículo, eu preciso disparar minha câmera, para então e somente após, disparar meu verbo.

Em plena epidemia de dengue, insetos peçonhentos continuam com seus penduricalhos espalhados pela cidade.

Faixas de auto-agradecimento contrastam com a gravidade do momento no qual temos passado. Vidas sendo ceifadas pela incompetência e pela inoperância de pessoas como essas, cujo nome estampam com orgulho na faixa, cujo acabamento mambembe tem tudo a haver com o caráter de quem as ostenta.

Interessante é notar a extensão da rua, cujos politiquinhos declaram “empenho” para o asfaltamento. Deve ter uns 300 metros de extensão.

E pensar que a obra faraônica, cuja alcunha decidiram chamar de “Cidade da Música”, cujo orçamento, esse sim com empenho dessas figuras deploráveis, já estourou em quase 600%, contudo não apresenta nenhum tipo de faixinha de agradecimento desses boçais.

Mas a dengue continua matando e o empenho dedicado ao problema, pelo menos por esses dois filhotes, não deve passar muito do empenho dedicado por ambos, à própria flatulência.

E como o próprio cartaz mostra, a imbecilidade é uma coisa tão séria, que deveria ser tratada como ciência.

Agora faça um desejo

Essa figura me foi passada pela Luma , que recebeu do Cidão, que recebeu da Max e eu agora passo para o Luiz Ramos.

1. Pense em algo que você mais quer do que tudo, um pedido profundo que venha do seu coração e que você gostaria de desejar se visse uma estrela cadente atravessando o céu noturno.


2. Clique com o lado direito do mouse e salve a imagem acima.

3. Use um programa de imagens qualquer de sua escolha e coloque seu desejo nessa imagem.

Eis o meu singelo desejo:

Marcos Santos

Rio de Janeiro

PELAS RUAS QUE ANDO...




... Tem gente que faz muita merda...












...e com muito gosto.













...pena que os cabos arrebentados não saíram na foto.

Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Sky Watch - Da Minha Janela (Parte 2) - From My Window 2


Anoitecer no Rio de Janeiro - Lagoa de Marapendi
Verão de 2008



Flagrante de um balão caindo na Lagoa de Marapendi.
Clique para ampliar e observe a multidão dentro da água e sobre o pequeno cais.



Flagrante de Papai Noel (Santa Claus) chegando de helicóptero
Natal de 2007
Fotos by Marcos Santos

Sky Watch - Da minha Janela - From my window

A tempestade se aproxima, vindo do Sul.
Notem que ela ameaça transformar-se numa espiral.
Felizmente não passou disso
Recreio do Bandeirantes - Rio de Janeiro - Brasil



A alvorada no verão sempre nos trás espetáculos.
Recreio do Bandeirantes - Rio de Janeiro - Brasil

Fotos by Marcos Santos


Domingo, 23 de Março de 2008

Beleza Mínima

Era comum meu pai pegar no cabo da enxada e capinar o quintal. Mas eu gostava mais quando ele fazia isso durante as férias escolares. Nesse período ele me chamava para participar da lida e eu prontamente me apresentava.

Eu tinha uma certa dificuldade de entender os critérios estabelecidos por ele, para distinguir o que era “mato” , do que não era. Enquanto na sua área de trabalho, a produtividade era altíssima, na minha, a coisa ficava sempre meio “travada”.


Ele não me dava moleza, e reclamava do meu excesso de tempo perdido, analisando as plantinhas.
Eu ainda argumentava:
- Mas essas plantinhas daqui estão dando flor...

Ele sentenciava:
- Isso é mato! Arranca !

Reconheço que ficava com o coração meio partido, mas acabava arrancando a pobre florzinha.
A vantagem é que meu sentimento de culpa era suplantado por uma ordem superior, fazendo com que meu rendimento aumentasse. Embora fosse me desculpando com cada matinho “bonitinho” arrancado.

Mas valia a pena. Após algumas horas de trabalho eu estava muito cansado, mas nós dois estávamos orgulhosos...de mim.

Hoje tenho que reconhecer...Meu pai, na sua simplicidade, soube me ensinar a dar valor ao trabalho. Nesses pequenos detalhes, o nosso caráter vai sendo forjado. Embora continue achando que ele tenha sido injusto com aquelas pequenas plantinhas.


Pequenos matinhos que floresciam e lutavam para me mostrar sua beleza microscópica.


Marcos Santos
Rio de Janeiro

fotos marcos santos

Sábado, 22 de Março de 2008

Blogagem Coletiva no Dia Universal da Água

ÁGUA - UM BEM UNIVERSAL


Participe!Faça a sua parte



“Notícias Terra – 11 de março de 2008
O Peru planeja começar a dessalinizar a água do oceano Pacífico para compensar a redução no fornecimento de água doce de geleiras andinas, em conseqüência do aquecimento global, disse hoje o presidente Alan García...”



Essa não é uma obra de ficção. É noticia e foi divulgada nas últimas semanas.
Segundo consta, existe a possibilidade que já em 2010, o Peru esteja entrando definitivamente num regime de secas sem precedentes na história.

E o Brasil com isso?

O ciclo do degelo andino é o principal formador das bacias dos rios Paraguai (Pantanal Mato-grossense) e Solimões (Rio Amazonas). O seu fim, ou sua redução, acarretará em um período longo de cheias (resultante do degelo contínuo), precedido de um período longo de secas
(período em que as geleiras estariam se recuperando – se é que isso ocorrerá).

Estamos definitivamente diante de um drama nunca vivido pela humanidade. A escassez de água potável já está batendo à nossa porta. A biodiversidade já está irremediavelmente comprometida e devemos nos esforçar muito para deixarmos um planeta habitável para as próximas gerações.
Um dos principais alicerces dessa habitabilidade é a água, sem ela não haverá vida. Sem água doce correndo nos rios, a terra ficará inviável como geradora de vida em terra firme. Afinal, a flora e a fauna não matam sua sede nas torneiras.

Marcos Santos
Rio de Janeiro


ÁGUA - UM BEM UNIVERSAL

Participe!Faça a sua parte

DECLARAÇÃO UNIVERSAL
DOS DIREITOS DA ÁGUA

Photobucket

Photobucket1. A água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.

Photobucket2. A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida e de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceder como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado no Art. 3º de Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Photobucket3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo a água deve ser manipulada com racionalidade, preocupação e parcimônia.

Photobucket4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente, para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos por onde os ciclos começam.

Photobucket5. A água não é somente uma herança dos nossos predecessores, ela é sobretudo um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do Homem para as gerações presentes e futuras.

Photobucket6. A água não é uma doação gratuita da natureza, ela tem um valor econômico: é preciso saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.

Photobucket7. A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e diascernimento, para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração de qualidade das reservas atualmente disponíveis.

Photobucket8. A utilização da água implica o respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo o homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo Homem nem pelo Estado.

Photobucket9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.

Photobucket10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.


Faça parte!


Um Homem Chamado Planeta Água

Minha juventude foi embalada por artistas, cuja sensibilidade hoje são raras.
Guilherme Arantes foi um deles.
Com sua e
norme capacidade de síntese, conseguiu falar por décadas, aos corações dos jovens, que por ele passaram.


"Planeta Água" é um símbolo do que um artista pode fazer de construtivo para a vida das pessoas. Um hino à vida do planeta que nos acolhe.
E isso, a vinte e sete anos atrás.




Clique e ouça
Planeta Água, com Guilherme Arantes - 1981

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua

Na corrente do ribeirão...


Águas escuras dos rios

Que levam
A fertilidade ao sertão

Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos

No leito dos lagos...

Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção

Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...

Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...



Águas que movem moinhos

São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água

Terra! Planeta Água...(2x)

Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão

Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...

Águas escuras dos rios
Que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias

E matam a sede da população...

Águas que movem moinhos

São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...(2x)



Marcos Santos
Rio de Janeiro

BOCA DIURNA -------------------- Obrigado Pela Visita